
“Qual comprar? Shimano ou SRAM?”
E ai galerinha, tudo na paz?
Várias pessoas quando vão comprar câmbio, corrente ou uma relação completa me pedem dicas de qual é o melhor, e sempre vem aquela famosa pergunta… “Qual é melhor? Shimano ou SRAM?”
Pensando nisso, eu decidi colocar aqui informações e os principais pontos de cada uma dessas duas fabricantes que dão o que falar entre os ciclistas.
Antes de começar a mostrar os comparativos, vou falar um pouco sobre cada uma.
Shimano
Embora ela tenha sido fundada em 1921 pelo japonês Shozaburo Shimano a produção de peças para bicicletas só começou em meados de 1956. Em 1984 lança um sistema que indexava as marchas, chamado SIS. Poucos anos depois, lançou o sistema Shimano Pedaling Dynamics (SPD), sistema de pedal de encaixe que se prende a sapatilhas especiais.
No começo da década de 90 a empresa já era uma das líderes no seguimento ciclístico.
SRAM
Já aqui temos uma não tão antiga quanto a anterior. Fundada em 1985, teve seu nome baseada em seus fundadores Scott, Ray e Sam. Hoje, no entanto está pelos quatro cantos do mundo e controla também outras marcas renomadas como a Rock Shox, Truvativ e Avid.
Linhas de transmissão de XC – SRAM
A empresa americana já se diferencia pelo fato de ter um projeto audacioso com pedivelas de coroa única, chegando a afirmar publicamente que nunca mais irão fabricar câmbios dianteiros para sua linha de ponta.
Linhas de transmissão de XC – Shimano
Vale ressaltar que XT Di2 e XTR Di2 são derivados das tradicionais, trazendo inclusive a mesma engenharia, diferenciando apenas pelo fato da linha Di2 (Digital Integrated Intelligence) são digitais. Não há cabos e o visor é digital.
Já que sabemos um pouquinho de cada uma dessas marcas, vamos ao que interessa!
COMPARATIVO
1- Linhas de entrada
- Shimano: Altus, Acera e Alivio;
- SRAM: X3, X4 e X5.
Shimano – Começando pela Altus que é um grupo básico e na sua última versão acabou trazendo tecnologia dos grupos posteriormente mencionados. Acera apresenta tecnologia Shadow*, o que para a linha é um fator muito importante. Alivio com Two Way Release* e outros detalhes – com opção de movimento central integrado – evoluiu muito em seu recente lançamento.
Os 3As (Altus, Acera e Alivio) da Shimano têm duas características: oferta de pedivela triplo e cassete com 9 cogs, ou seja, 27 marcas.
* “A Shimano posicionou o câmbio mais ‘para dentro’ – ou seja, mais perto da roda, diminuindo as chances de quebra por bater num obstáculo. O sistema é completamente diferente, com muito mais estabilidade da corrente, eliminando assim a possibilidade do câmbio bater no chainstay.” – Shimano Internacional
** Sistema dos passadores de marchas onde a alavanca menor possibilita trocas tanto com o dedo indicador (puxando) quanto com o polegar (empurrando).
SRAM – O grupo X3 é extremamente básico, não tendo nem pedivela da linha. Por mais que o câmbio traseiro aceite cassetes de 7v, 8v e 9v, os passadores só possuem trocas de 7 marchas fazendo com que o grupo seja de 21v. Por estes fatores o grupo não chega a ser uma linha de mountain bike em sí, sendo mais favorável para passeio.
O grupo X4 já trás um pouco mais de recursos, como por exemplo, a tecnologia Direct Route (Cabo chega por cima e não por trás). Porém, mesmo com esse recurso os passadores são de 24 velocidades.
Por último, o grupo X5 apresenta mudanças consideráveis e oferece peças mais robustas como: passadores e câmbios traseiros de 10v e até mesmo pedivela com movimento central integrado de 2 ou 3 coroas.
Resumo
Aqui é o único nível onde podemos traçar um paralelo direto entre Shimano x SRAM. Sendo assim:
– É de se esperar que o grupo Altus seja melhor que o X3 por oferecer um conjunto com 27 marchas contra 21 marchas do X3. Levando em consideração que seja adquirido o kit completo e , portanto, o passador de 7v.
– O grupo Acera ganha do X4 principalmente pelo fato de ter o conjunto traseiro de 8v. Além disso o grupo possui a tecnologia Shadow que é consideravelmente mais leve em relação ao X4.
– O SRAM X5 vence o alívio por oferecer um conjunto de 10v contra 9v da Shimano e também pela opção de um pedivela com coroa dupla, algo relevante nos tempos atuais.
2- Linhas intermediárias
- Shimano: Deore e SLX;
- SRAM: X7, X9, NX e GX.
Shimano – O grupo Deore tem evoluído bastante, principalmente por ter a tecnologia Shadow RD+ e opções de pedivela duplo.
O Grupo SLX é certamente a maior evidência da Shimano de transferir tecnologias das linhas superiores para as inferiores com o passar dos anos. Exemplo disso é o fato do grupo possuir características das linhas XT e XTR, além de oferecer conjuntos 1×11, 2×11 e 3×10 e um cassete 11-46.
SRAM – Aqui temos uma maior gama de grupos da linha intermediária em relação a Shimano.
Os grupos X7 e X9 oferecem pedivelas duplos e triplos, cassetes 11-36 e opções de passadores Grip Shift, tecnologia que divide opiniões exclusiva da SRAM, onde se muda a marcha torcendo um dispositivo no guidão. Ambos os grupos oferecem opção de câmbio traseiro bem como passadores próprios das transmissões de 9 velocidades.
Os mais recentes NX e GX são praticamente uma deixa da SRAM em relação a extinção dos câmbios dianteiros. Dá até para traçar um paralelo e dizer que NX está para X7 assim como GX está para X9. Os dois grupos oferecem apenas uma combinação de marchas (1×11) e com um único cassete (10-42).
Resumo
Olhando os grupos intermediários da Shimano e SRAM percebemos os esforços da SRAM para mostrar suas últimas linhas de cassetes NX e GX, ambos com mais de 40 dentes.
Já a Shimano, por mais que tenha inovado bastante também, deixou suas apostas nos grupos que já estão estabelecidos no mercado. O grupo SLX dá opções de pedivelas e marchas 1×11, 2×11 e 3×10 com cassetes 11-36 e 11-42.
Destaco que o NX cobre espaços deixados pela Shimano, como por exemplo o conjunto que apresenta uma relação custo-benefício bem melhor, principalmente por ter configuração 1×11 e cassete 11-42. O que faz com que seja um ponto positivo para a marca.
3- Linhas de ponta
- Shimano: XT e Di2 e XTR e Di2;
- SRAM: XX, X1, XX1 e XX1 Eagle.
Shimano – Aqui é o ápice da marca, principalmente pelo grupo permanecer no topo da marca desde que foram lançados e agora, está mais fantástica ainda por ter a versão eletrônica Di2.
O Grupo XTR tem superioridade no acabamento em relação ao XT, mas a engenharia é praticamente a mesma. Ambos os grupos são destinados para atletas de alta performance.
SRAM – Se tem uma coisa que a SRAM fez com essa linha é deixar mais evidente e explícito o fato de aposentar de vez o câmbio dianteiro.
A única linha a fabricar ainda cassetes 11-36 e pedivela 2-3 coroas é a XX. Ao mesmo tempo que a SRAM está elevando os novos grupos em relação aos mais “antigos” como NX com X7 e GX com X9, aqui no topo é o grupo X1 com XX. Estes grupos têm muitas semelhanças, mas a tendência é X1 assumir o posto da XX, linha com maior evolução para o mountain bike.
E quem está na liderança? Até pouco tempo era a XX1 com kit 10-42, sendo inclusive uma provável equivalente à Shimano XT.
Porém, chegou a sensacional linha XX1 Eagle, esta denominação (Eagle) também está presente na linha X01 (série para Downhill). Na XX1 possui um extraordinário sistema de velocidades 10-50 com 12 marchas.
Resumo
A SRAM tenta sair na frente e está “inclinando” a tendência ao seu favor com a extinção dos câmbios dianteiros, o que não vemos ainda nos grupos da Shimano que oferecem pedivelas duplos e triplos.
Observando profundamente a Shimano e SRAM não é possível comparar um grupo ao outro. Só um expert que utiliza os grupos que pode de fato dizer qual é o grupo destaque.
RESULTADO
Grupo de entrada:
Pelos recursos apresentados, quem leva a melhor é a Shimano. Por mais que a SRAM tenha vários pontos positivos com o X5, quem vai iniciar na modalidade buscar algo mais prático e acessível, e desta forma as linhas as Acera e Altud se destacam.
Vencedor – Shimano
Grupo intermediário:
A SRAM fez bem com grupo NX, fazendo com que preenche um espaço enorme deixado pela Shimano com grupo Deore, com cassete com mais de 40 dentes e com opções de pedivela com coroa única.
Todavia, a escassez na oferta de produtos da SRAM no Brasil e o fato das montadoras nacionais raramente usarem conjuntos SRAM em suas bikes a situação não é tão favorável.
Vencedor – Empate
Grupo de ponta:
Sabendo que são grupos destinados para atletas de alto nível e que são tecnologias superiores que eu já usei, o desempate aqui vai ser feito baseado em alguns critérios técnicos.
Tudo no grupo X1 é mais leve em relação ao XT (cassete, câmbio, passadores…) Além disso traz uma variação nos trocadores tradicionais que é o Grip Shift (sendo opcional, é claro)
Vencedor – SRAM
CONSIDERAÇÕES
Shimano leva vantagem sobre a SRAM nos grupos de entrada, principalmente por ser bem mais fácil ser encontrado no Brasil.
SRAM acerta com a criação das novas linhas (por exemplo a NX) e possui detalhes que deixam a Shimano pra trás nas linhas de ponta.
apoio de estruturação do conteúdo: Aventrilha
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